Na vastidão da Grande Nuvem de Magalhães, astrônomos encontraram o que pode ser considerado um "fóssil vivo" da história cósmica. Diferente da maioria das estrelas modernas, ricas em elementos pesados como carbono e oxigênio, este novo astro é composto quase inteiramente por hidrogênio e hélio. Essa pureza química sugere que ele pertence a uma linhagem direta das primeiras estrelas que iluminaram o Universo, conhecidas como População III.

O estudo, publicado no periódico *Nature Astronomy*, destaca que encontrar um objeto com essas características é uma raridade estatística. As estrelas de População III eram colossais, queimavam seu combustível rapidamente e morriam em explosões violentas há bilhões de anos. Por terem vidas efêmeras, nunca foram observadas diretamente; no entanto, suas "filhas" — a geração seguinte, formada a partir dos restos dessas explosões — guardam em sua assinatura química o DNA do cosmos primitivo.

Para os pesquisadores, essa descoberta funciona como uma janela para o passado. Ao analisar a composição dessa estrela "quase intocada", a ciência consegue inferir as condições físicas e químicas que permitiram a formação das primeiras estruturas galácticas. É um passo crucial para entender como o Universo deixou de ser uma sopa de gases simples para se tornar o complexo berçário de elementos que compõem, hoje, planetas e a própria vida.

Com informações de Olhar Digital.

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