O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou um possível esfriamento diplomático nesta semana ao sugerir que o Brasil pode adotar medidas recíprocas contra autoridades americanas, em resposta à expulsão de um delegado da Polícia Federal brasileira dos Estados Unidos. Em declaração feita de Hannover, na Alemanha, Lula enfatizou que qualquer "abuso" por parte das autoridades americanas será respondido com tratamento equivalente no Brasil. O atrito gira em torno de Marcelo Ivo, delegado cuja retirada do território americano escancarou uma divergência aguda entre os dois países sobre os limites de atuação investigativa e jurídica.

O episódio tem origem na busca por Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e condenado por envolvimento na tentativa de golpe. Ramagem, que fugiu para os EUA no ano passado, chegou a ser brevemente detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no início deste mês. Enquanto a Polícia Federal brasileira sustenta que a prisão foi fruto de "cooperação policial internacional", o Departamento de Estado americano apresentou uma versão diferente. Washington acusou o delegado brasileiro de tentar "manipular" o sistema imigratório e contornar os canais formais de extradição, enquadrando a operação como uma tentativa de estender uma "perseguição política" a solo americano.

O confronto evidencia o equilíbrio delicado da cooperação policial transfronteiriça numa época de sensibilidade política elevada. Para o Brasil, a persecução dos envolvidos nos ataques de 2023 às instituições democráticas permanece como prioridade de estabilidade interna. Para os EUA, a integridade procedimental de seus sistemas de imigração e extradição segue como questão inegociável, mesmo quando se trata de aliados. Enquanto Lula pondera seus próximos passos, o episódio funciona como lembrete de que os mecanismos de cooperação internacional são, muitas vezes, tão frágeis quanto os climas políticos em que se inserem.

Com reportagem de InfoMoney.

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