Chuva de uma década em menos de um dia

Na noite de domingo, Belém — principal porta de entrada da Amazônia — decretou estado de emergência após um dos episódios de chuva mais intensos da última década. Em menos de 24 horas, caíram mais de 150 milímetros, volume que corresponde a quase metade do total esperado para todo o mês de abril. O temporal deixou diversos bairros submersos e obrigou a prefeitura a acionar uma resposta de crise em larga escala.

Maré alta bloqueou a drenagem

A gravidade das enchentes foi amplificada por uma maré alta de 3,6 metros, que funcionou como uma barreira e impediu o sistema de drenagem da cidade de escoar a água pluvial para os rios e canais ao redor. O prefeito Igor Normando assinou o decreto de emergência sobretudo para contornar entraves burocráticos, viabilizando o acesso rápido a recursos estaduais e federais destinados à limpeza, à dragagem de canais e à assistência às famílias atingidas.

Infraestrutura precária sob os holofotes da COP-30

A crise expõe uma tensão persistente no tecido urbano de Belém. Bairros como Terra Firme, que suportaram o pior do temporal, convivem há anos com infraestrutura precária — uma realidade que ganhou visibilidade internacional durante cúpulas climáticas recentes. Com a cidade se preparando para sediar a COP-30, a resiliência de seus sistemas de drenagem e habitação deixa de ser uma questão local e se torna um estudo de caso central sobre como cidades tropicais precisam se adaptar a um clima cada vez mais instável.

Com reportagem de InfoMoney.

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