Pandemia expôs a fragilidade do abastecimento no continente

A fragilidade da cadeia global de suprimentos de vacinas ficou escancarada nos primeiros anos da pandemia, deixando boa parte do continente africano à mercê das prioridades de exportação de outros países. A Biovac, empresa de biotecnologia sul-africana, posiciona-se agora como peça central de um sistema regional mais resiliente. Com US$ 108 milhões em novos financiamentos do Banco Europeu de Investimento, da Comissão Europeia e da International Finance Corporation (IFC), a companhia se prepara para ampliar significativamente sua capacidade fabril.

Fábrica na Cidade do Cabo mira 400 milhões de doses por ano

O investimento financiará uma nova instalação na Cidade do Cabo projetada para produzir até 400 milhões de doses de vacinas por ano. A expansão não se limita à demanda imediata de um único vírus — trata-se de construir uma infraestrutura permanente e de alta capacidade, voltada tanto para imunizações de rotina quanto para respostas a futuras pandemias. Ao internalizar o processo de envase e acabamento (fill and finish) e caminhar rumo à produção ponta a ponta, o projeto busca reduzir a dependência do continente em relação a produtos médicos importados.

Manufatura distribuída ganha tração na saúde global

A iniciativa reflete uma mudança mais ampla na estratégia de saúde global, em direção à manufatura distribuída. Em vez de depender de um punhado de grandes polos na Europa, na Ásia ou na América do Norte, o objetivo é criar centros regionais de excelência capazes de atender suas próprias populações. Para a Biovac, o respaldo de grandes instituições financeiras internacionais fornece o capital necessário para transformar a Cidade do Cabo em um desses nós vitais da rede global de saúde.

Com reportagem de Endpoints News.

Source · Endpoints News