Em agosto de 2022, quando o Bradesco anunciou a joint venture com o Banco BV para criar uma nova potência em gestão de recursos, a intenção estratégica era evidente. A parceria foi desenhada para replicar o sucesso da Kinea, braço de investimentos semi-independente do rival Itaú Unibanco que há tempos é referência na combinação de escala institucional com agilidade de boutique.

Agora, o Bradesco deu o passo seguinte e assumiu o controle integral da operação, adquirindo a participação remanescente no que hoje se chama Tivio Capital. A transição de uma parceria compartilhada para uma subsidiária integralmente detida marca uma consolidação significativa da estratégia de investimentos do banco. Ao trazer a Tivio para dentro da "Cidade de Deus" — o vasto complexo que serve de sede ao banco —, o Bradesco sinaliza o desejo de uma integração mais estreita enquanto busca modernizar sua oferta de wealth management.

A movimentação ocorre num momento em que os grandes bancos tradicionais brasileiros enfrentam pressão contínua para se reinventar. Com clientes de alta renda migrando cada vez mais para plataformas independentes especializadas, incumbentes como o Bradesco são obrigados a repensar suas estruturas internas. Ter a Tivio sob controle total permite ao banco agilizar seu pipeline de produtos, embora ainda esteja por se provar se uma unidade completamente internalizada consegue preservar a fricção empreendedora que torna as gestoras de perfil independente tão eficazes.

Com reportagem de NeoFeed.

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