O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, adiado por décadas, está deixando de ser uma ambição diplomática para se tornar uma realidade provisória. O vice-presidente em exercício Geraldo Alckmin reforçou a importância da data de implementação em 1º de maio, classificando o pacto como um "ganha-ganha" para uma economia brasileira que busca ampliar sua presença em um mercado de US$ 22 trilhões. O anúncio coincide com a turnê estratégica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Espanha, Alemanha e Portugal para consolidar esses laços.

O impacto imediato do acordo se traduz na eliminação de tarifas sobre aproximadamente 500 produtos brasileiros de exportação. Para outros itens, a redução de impostos será gradual, ao longo de vários anos. Alckmin sustenta que essa abertura não apenas facilitará as vendas brasileiras ao segundo maior parceiro comercial do país, mas também reduzirá custos de importações europeias — o que, em tese, estimularia a competitividade doméstica por meio de maior exposição a padrões globais.

Apesar do tom otimista da presidência em exercício, o acordo continua sendo uma negociação complexa em torno da soberania industrial. O presidente Lula tem sido enfático ao rejeitar qualquer modelo que reduza o Brasil a "mero exportador" de matérias-primas, como terras raras. A ofensiva diplomática em curso reflete o esforço de garantir que a integração com a Europa funcione como catalisador de uma indústria de maior valor agregado, e não como retorno ao modelo tradicional de comércio baseado em commodities.

Com reportagem de InfoMoney.

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