Na cidade de Nazário, no interior de Goiás, o cavalo deixou de ser apenas símbolo da tradição rural ou ferramenta de trabalho. Tornou-se um ativo financeiro sofisticado. A mudança reflete uma profissionalização mais ampla da pecuária brasileira, na qual a genética equina de elite é negociada com o rigor e a visão estratégica normalmente reservados a operações de venture capital de alto risco.

O epicentro dessa transformação é o leilão anual promovido pelo Haras JBJ e pela Família Quartista. Já reconhecido como o maior evento do gênero no Brasil, o leilão funciona como um marketplace de alta liquidez para cavalos Quarto de Milha de elite. Nele, o valor de um único animal não é determinado apenas por suas qualidades físicas, mas pelo potencial de sua linhagem para influenciar bloodlines globais — uma forma de propriedade intelectual biológica.

À medida que o mercado desses "ativos" amadurece, ele atrai uma nova classe de investidores que enxergam o comércio equino pela lente da diversificação de portfólio. Ao combinar tradição com estratégias de mercado modernas, Goiás se posiciona como polo global de agropecuária de alto valor, provando que mesmo os setores mais antigos podem ser reinventados para a economia contemporânea.

Com reportagem de Exame Inovação.

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