A falência da Bugatti Automobili SpA em 1995 foi mais do que um fracasso financeiro; foi o fim abrupto de uma era de romantismo industrial. Sob a liderança de Romano Artioli, a marca havia erguido uma fábrica de ponta em Campogalliano, na Itália, com a ambição de reconquistar o topo da engenharia automotiva. Mas quando os credores entraram para desmontar o espólio, uma discrepância curiosa apareceu: o chassis número 021 — um EB110 Super Sport recém-concluído, acabado no icônico Blu Bugatti da marca — simplesmente desapareceu do inventário.
O EB110 era um exemplar raro do excesso e da precisão dos anos 1990, com apenas 139 unidades produzidas. Dessas, a variante Super Sport era a mais cobiçada, limitada a uma tiragem de apenas 30 carros. Sua marca cultural foi consolidada por proprietários como Michael Schumacher, que adquiriu o chassis 020 justamente quando sua carreira na Fórmula 1 decolava. Enquanto o Super Sport amarelo de Schumacher se tornava um ícone público, seu sucessor na linha de montagem, o número 021, virava um fantasma — ausente dos registros bancários destinados a liquidar as dívidas de Artioli.
Durante vinte e quatro anos, o carro permaneceu como lenda entre colecionadores — um Bugatti "perdido" que existia nos registros de produção, mas não no mundo físico dos leilões ou das coleções privadas. Seu ressurgimento recente encerra um mistério de décadas e oferece um epílogo tardio ao colapso da fábrica de Campogalliano. O reaparecimento do chassis 021 funciona como uma ponte para um capítulo turbulento da história da engenharia de alta performance, lembrando que mesmo no universo preciso da manufatura automotiva, coisas ainda podem escapar pelos vãos.
Com reportagem de Xataka.
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