A IA como problema de encanamento
Enquanto as manchetes globais oscilam entre os alertas de risco existencial de Elon Musk e as promessas utópicas de produtividade infinita, os líderes de tecnologia da América Latina voltam sua atenção a um conjunto mais concreto de problemas. Em um encontro recente que reuniu mais de 300 profissionais do setor, Jorge Payró, diretor da Red Hat para o Cone Sul, sugeriu que a jornada de IA na região é definida menos pela filosofia e mais pelo "encanamento" da computação moderna: nuvens híbridas e infraestrutura open-source.
Adoção desigual em setores-chave
A adoção de IA nos setores financeiro, de saúde e de telecomunicações da América do Sul já não é aposta especulativa, mas a implementação segue desigual. Payró cita dados do MIT que evidenciam uma lacuna persistente entre o interesse corporativo e a realidade operacional. Para muitas organizações, o obstáculo não é falta de ambição, mas a complexidade de integrar IA a ambientes "cloud-native" que precisam ser flexíveis o bastante para lidar com demandas flutuantes de dados sem comprometer a segurança.
Escassez de chips pressiona até 2027
Somando-se aos desafios locais, há uma cadeia global de suprimentos que dá poucos sinais de estabilização. O setor projeta agora que a escassez de chips de memória — essenciais para a computação de alto desempenho que a IA exige — deve persistir até 2027. Essa escassez eleva os custos de hardware, de servidores corporativos aos dispositivos móveis no bolso dos consumidores, forçando líderes regionais a serem mais estratégicos sobre onde e como alocam seus recursos digitais.
Com reportagem de La Nación.
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