A crise que saiu dos lojistas e chegou aos fundos
O estrago provocado pelo colapso financeiro do Grupo Entre já ultrapassou a frustração imediata dos lojistas que ficaram sem receber. Depois que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da EntrePay no fim de março, a crise contaminou o ecossistema de crédito mais amplo, forçando diversos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) a suspender resgates.
Uma armadilha de liquidez
Havia meses que a EntrePay enfrentava dificuldades para repassar aos clientes os valores das vendas realizadas por cartão. A intervenção regulatória do Banco Central foi o golpe definitivo, paralisando a engrenagem operacional da processadora de pagamentos. Para os fundos de investimento que carregavam recebíveis da EntrePay como ativo-lastro, a liquidação criou uma armadilha de liquidez: com o fluxo de pagamentos interrompido, a precificação desses direitos creditórios tornou-se incerta, levando os gestores a travar os resgates para evitar uma corrida por capital.
Risco sistêmico nas estruturas de crédito
O episódio expõe os riscos inerentes às estruturas de crédito especializadas que alimentaram o boom das fintechs no Brasil. FIDCs, que empacotam dívidas e recebíveis em títulos investíveis, dependem da integridade operacional dos originadores. Quando um nó central como a EntrePay quebra, o contágio é rápido. Com os fundos fechados para resgates, os investidores ficam à espera para saber quanto do valor original poderá ser recuperado por meio do processo de liquidação — um procedimento que raramente oferece solução rápida ou integral.
Com reportagem de NeoFeed.
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