David Lindsay-Abaire, dramaturgo vencedor do Pulitzer e do Tony por obras como Rabbit Hole e Good People, voltou sua atenção a um tema enganosamente modesto: a varanda. Seu trabalho mais recente, The Balusters, coloca em cena uma conversa entre dez personagens cuja discussão sobre arquitetura doméstica se transforma em veículo para as ansiedades sociais, tensões de classe e hierarquias tácitas que definem a vida de vizinhança nos Estados Unidos.

O título já anuncia o método da peça. Balusters — os montantes verticais que sustentam o corrimão de uma varanda — são elementos estruturais que a maioria das pessoas sequer sabe nomear. Sustentam coisas, delimitam a fronteira entre espaço público e privado e passam despercebidos até que algo dê errado. Para Lindsay-Abaire, eles parecem funcionar como metáfora da estrutura invisível da ordem social em comunidades residenciais.

A varanda como território dramático

A varanda americana ocupa um lugar peculiar no imaginário cultural do país. É ao mesmo tempo extensão privada da casa e palco público visível a qualquer transeunte. Sociólogos e historiadores urbanos há muito registram seu papel como espaço liminar — um limiar onde a performance de vizinhança encontra a vida doméstica real. A cultura da varanda frontal foi central para a interação comunitária durante boa parte dos séculos XIX e XX, antes de recuar, em muitos subúrbios, para o deck dos fundos e a cerca de privacidade.

A decisão de Lindsay-Abaire de construir uma peça em torno do discurso da varanda é coerente com uma carreira dedicada a escavar tensão do ordinário. Rabbit Hole, que lhe rendeu o Pulitzer de Drama em 2007, extraía sua força da devastação silenciosa de um casal suburbano em luto pela perda de um filho. Good People examinava o atrito de classe pela lente das velhas lealdades de bairro em South Boston. Em cada caso, o drama não emergia de eventos extraordinários, mas da pressão que se acumula em cenários cotidianos — cozinhas, salas de estar e, agora, varandas.

Por seu próprio relato, o dramaturgo sentiu uma apreensão particular em relação a The Balusters. Escrever em direção ao medo é um princípio que Lindsay-Abaire já articulou antes: a ideia de que os temas que mais incomodam um autor são frequentemente os que mais valem a pena perseguir. Aqui, o desconforto parece ser pessoal além de artístico. Dramatizar as dinâmicas sociais específicas da vida de vizinhança carrega o risco do reconhecimento — vizinhos se enxergando, ou acreditando se enxergar, nos personagens em cena.

O discurso doméstico e suas apostas dramáticas

Uma peça sobre dez pessoas discutindo varandas pode, à primeira vista, soar como premissa feita para comédia. Mas o histórico de Lindsay-Abaire sugere algo mais estratificado. O doméstico e o banal há muito servem a dramaturgos sérios como recipientes para forças maiores. Edward Albee situou a guerra conjugal numa sala de estar de campus universitário. August Wilson construiu um século americano inteiro em torno das cozinhas e quintais do Hill District, em Pittsburgh. Quanto mais estreito o cenário, maior a pressão — e mais reveladoras as fissuras.

A escolha de dez personagens é notável. Peças corais dessa escala exigem orquestração cuidadosa; cada voz precisa carregar peso próprio sem que o conjunto descambe em ruído. Isso sugere um retrato de comunidade, não um estudo de personagem — uma obra interessada em como grupos negociam gosto, status e pertencimento por meio da linguagem aparentemente trivial de reformas residenciais e aparência de fachada.

O que torna The Balusters digna de atenção, mesmo neste estágio inicial, é a pergunta que a peça parece formular: sobre o que as pessoas realmente falam quando falam sobre suas casas? Conversas sobre propriedade — recuos, cores de tinta, altura de cercas, corrimãos de varanda — raramente são apenas sobre propriedade. Elas codificam julgamentos sobre classe, sobre quem pertence, sobre o que um bairro é e quem tem o direito de defini-lo. Se Lindsay-Abaire pretende que a peça seja sátira, tragédia ou algo que se recusa a se acomodar em qualquer das duas categorias, ainda está por se ver.

A tensão entre o íntimo e o comunitário, entre o que uma casa diz a seu dono e o que sinaliza para a rua, não é tema novo na tradição literária americana. Mas ganha relevância renovada numa era de ansiedade habitacional, guerras culturais em escala de bairro sobre zoneamento e estética, e o persistente hábito americano de ler caráter moral nas escolhas imobiliárias. Lindsay-Abaire encontrou, no baluster, um pequeno elemento estrutural que sustenta mais peso do que aparenta.

Com reportagem de Vogue.

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