Lula ataca "mitologia" europeia sobre biocombustíveis
Durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha em Hannover, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mirou no que classificou como uma "mitologia" persistente em torno dos biocombustíveis brasileiros. Diante de uma plateia de empresários europeus, Lula defendeu a coexistência entre a agricultura industrial e a inovação energética, rebatendo a narrativa de que a expansão do etanol e do biodiesel necessariamente desloca a produção de alimentos ou acelera o desmatamento.
"Ninguém seria louco de substituir comida por biodiesel"
A retórica do presidente se apoiou numa lógica pragmática e direta: "Ninguém seria louco de substituir a produção de alimentos por biodiesel", disse à plateia. "As pessoas comem comida, não diesel nem gasolina." Ao enquadrar os dois setores como complementares — e não concorrentes —, Lula buscou tranquilizar um público europeu cada vez mais cético quanto aos custos ambientais e sociais associados às exportações agrícolas sul-americanas.
Defesa geopolítica do uso da terra
Para além da segurança alimentar, o discurso funcionou como uma defesa geopolítica das políticas brasileiras de uso do solo. Lula rejeitou explicitamente a ideia de que a produção de biocombustíveis avançaria sobre a Amazônia ou a Mata Atlântica, apontando desinformação e documentação técnica falha como os principais motores da hesitação europeia. Para o Brasil, o objetivo é se posicionar como parceiro confiável na transição global rumo à energia limpa — desde que sua soberania industrial permaneça intacta.
Com reportagem de InfoMoney.
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