Em um movimento que evidencia fraturas ideológicas crescentes nas fileiras conservadoras do Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, declarou apoio de "100%" ao projeto de lei que equipara o discurso de ódio contra mulheres ao crime de racismo. A proposta, aprovada no Senado com unanimidade surpreendente, enfrenta agora recepção turbulenta na Câmara dos Deputados, onde parlamentares de direita pesam os custos políticos de aprovar proteções de gênero contra preocupações tradicionais com a liberdade de expressão.
A tramitação inicial no Senado contou com apoio de nomes inesperados, como o senador Flávio Bolsonaro e a ex-ministra Damares Alves. Esse consenso, porém, se dissipou desde então. Pressionado por uma base que enxerga na legislação um excesso de intervenção estatal, o filho mais velho de Bolsonaro começou a se distanciar, alegando "ressalvas" e sugerindo que o texto precisa de ajustes. Já Romeu Zema, governador de Minas Gerais e também pré-candidato à Presidência, manifestou oposição aberta, argumentando que as definições do projeto são perigosamente amplas.
A posição firme de Caiado funciona como um afastamento calculado desse recuo generalizado. Ao se alinhar de forma inequívoca ao projeto, o governador do PSD se posiciona como alternativa moderada capaz de atrair o eleitorado feminino — um segmento que historicamente se distanciou do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a corrida presidencial de 2026 começando a ganhar contornos, o debate em torno do "PL da Misoginia" se transforma em teste decisivo sobre como a direita brasileira pretende navegar a interseção delicada entre política social e identidade cultural.
Com reportagem de InfoMoney.
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