Um laboratório de ficção científica cínica
Há quase meio século, a publicação semanal britânica 2000 AD funciona como laboratório de uma vertente específica de ficção científica: cínica, conceitual e de alto impacto. Embora sua criação mais famosa, Judge Dredd, tenha tido resultados irregulares em Hollywood, a revista continua sendo um reservatório profundo de propriedade intelectual inexplorada. Agora, o diretor Duncan Jones — cujo filme de estreia, Moon, segue como referência da ficção científica cerebral contemporânea — volta sua atenção para Rogue Trooper, uma história que troca a distopia urbana pelos horrores bioquímicos de uma linha de frente planetária.
Guerra química e infantaria genética
Criada por Gerry Finley-Day e Dave Gibbons, Rogue Trooper se passa em Nu Earth, um mundo tão devastado pela guerra química entre os "Southers" e os "Norts" que sua atmosfera é letal para humanos comuns. A narrativa gira em torno da Genetic Infantry: supersoldados de pele azul, biogeneticamente projetados para sobreviver ao ambiente tóxico sem os trajes pesados exigidos por seus criadores. É uma guerra de atrito em que a biologia é apenas mais um recurso convertido em arma.
Identidade, tecnologia e soldados descartáveis
O teaser divulgado recentemente por Jones sugere fidelidade visual à estética sombria do quadrinho original. Ao colocar a Genetic Infantry no centro da trama, o filme tem a oportunidade de explorar temas como trabalho descartável e a desumanização inerente a conflitos de escala industrial. Para um diretor como Jones, que frequentemente investiga a interseção entre identidade e tecnologia, a história de um soldado solitário carregando a consciência digitalizada de seus companheiros mortos oferece uma visão convincente — ainda que desoladora — do futuro da guerra.
Com reportagem de Ars Technica.
Source · Ars Technica

