Belgrado é uma cidade definida por suas camadas arquitetônicas — um lugar onde fachadas neoclássicas se cruzam com o concreto pesado e vertical do brutalismo iugoslavo. É um ambiente que sugere certo potencial cyberpunk, marcado por uma verticalidade modular singular. Nessa paisagem de texturas sobrepostas, o estúdio parisiense de arte e design Supaform apresentou o EJE Belgrade, um bar, sala de escuta e hotel de 250 metros quadrados instalado em um imponente edifício dos anos 1920 no bairro de Stari Grad.
O núcleo conceitual do projeto é a "estação autônoma", uma direção de design fortemente inspirada no otimismo cívico do final dos anos 1950 e início dos anos 1960. A referência visual principal é o quiosque K67, de Saša Mahtig — o icônico sistema modular de 1966 cujas formas arredondadas e aerodinâmicas se tornaram presença constante na paisagem urbana iugoslava. No EJE, essas formas são reinterpretadas não como reconstrução histórica, mas como peça cenográfica de uma linha do tempo paralela, na qual o modernismo de meados do século evoluiu para algo mais lúdico e surreal.
Essa sensibilidade retrofuturista se estende ao ambiente sonoro, que foi elemento fundacional do briefing. O espaço é ancorado por um par de monitores de estúdio vintage JBL 4435, reforçando a ideia do local como uma "sala de escuta" onde som de alta fidelidade encontra design de alto conceito. Ao fundir a utilidade modular do passado com uma estética elegante inspirada em naves espaciais, o Supaform criou um espaço que parece ao mesmo tempo único e estranhamente familiar — um fragmento utópico preservado no coração da Belgrado contemporânea.
Com reportagem de The Cool Hunter.
Source · The Cool Hunter



