Nas praças tranquilas de Hässelby Gård e nos terminais de transporte de Älvsjö, Estocolmo enfrenta uma realidade fraturada. A capital sueca, historicamente definida por sua coesão social, lida agora com um conjunto divergente de ansiedades urbanas: de um lado, o recrutamento por gangues; de outro, o uso de drogas em espaços públicos. Como resposta, o Partido Moderado da cidade propôs uma expansão drástica do aparato municipal de segurança, pedindo um aumento de 600% no número de ordningsvakter — guardas de ordem pública que ocupam a zona cinzenta entre a segurança privada e a polícia nacional.

A proposta deflagrou um cabo de guerra político sobre a própria natureza da gestão urbana. Esses guardas, que possuem poderes de fiscalização limitados em comparação com a polícia, tornaram-se presença onipresente na vida cívica sueca. Para os defensores da medida, eles representam um elemento dissuasor flexível e visível, capaz de retomar espaços públicos tomados pelo crime e pela desordem. Para os críticos, a dependência de forças secundárias sugere uma abdicação sistêmica da responsabilidade estatal, levantando a questão de se a segurança está se tornando uma mercadoria escalável em vez de um serviço público.

Essa mudança reflete uma tendência mais ampla no urbanismo europeu, em que a teoria das "janelas quebradas" do passado encontra as restrições orçamentárias do presente. À medida que o papel desses guardas evolui da simples vigilância de locais para a intervenção ativa em crises sociais, Estocolmo precisa decidir que tipo de presença quer em suas ruas. O debate já não se resume ao número de agentes nas calçadas, mas ao contrato social que governa os cantos mais vulneráveis da cidade.

Com reportagem de Dagens Nyheter.

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