A parceria entre o Exército Brasileiro e o Banco Master está sob escrutínio após a revelação de transferências financeiras expressivas e possíveis irregularidades procedimentais. Segundo dados do Coaf, a unidade de inteligência financeira do país, o Exército direcionou aproximadamente R$ 39 milhões ao banco ao longo de cerca de um ano. Os recursos estavam vinculados a empréstimos consignados — modalidade de crédito com desconto em folha de pagamento — concedidos a militares da ativa e da reserva.

Os detalhes vieram à tona por meio de um relatório encaminhado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado. Investigadores identificaram padrões suspeitos nas movimentações, como o débito imediato dos valores assim que recebidos pelo banco e a alta concentração de recursos sob uma mesma estrutura societária. Essas práticas, segundo o relatório de inteligência, podem ter sido desenhadas para ocultar a identidade dos beneficiários finais, dificultando o rastreamento de recursos públicos e privados.

O contrato, firmado inicialmente em fevereiro de 2023, tinha vigência prevista de um ano, mas foi prorrogado por meio de sucessivos aditivos. Embora a parceria já tenha sido encerrada, o caso expõe os desafios persistentes de fiscalização nos arranjos financeiros institucionais do país. O envolvimento da CPI sugere que o que começou como um serviço de crédito convencional para militares pode agora integrar uma investigação mais ampla sobre transparência financeira sistêmica.

Com reportagem de InfoMoney.

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