Um estudo publicado na Nature Energy estima que o custo da energia de fusão nuclear, mesmo que a tecnologia se torne viável, pode cair muito mais lentamente do que o de painéis solares, baterias ou turbinas eólicas. Segundo reportagem do MIT Technology Review, a pesquisa situa a "taxa de experiência" da fusão — o percentual de redução de custo a cada vez que a capacidade instalada dobra — entre 2% e 8%, bem abaixo dos 20% ou mais observados em baterias de íon-lítio e módulos solares.

A conclusão chega num momento em que capital público e privado flui para a fusão em larga escala. Os Estados Unidos destinaram mais de US$ 1 bilhão à fusão no ano fiscal de 2024, e o financiamento do setor privado totalizou US$ 2,2 bilhões entre julho de 2024 e julho de 2025. A implicação central do estudo é desconfortável, mas relevante: as premissas econômicas embutidas em muitos exercícios de modelagem — que frequentemente projetam taxas de experiência de 8% a 20% — podem ser significativamente otimistas demais. Se os custos da fusão se mostrarem rígidos, o papel da tecnologia nos portfólios de descarbonização pode ser bem mais limitado do que seus defensores sugerem.

A física das curvas de custo

Os pesquisadores da ETH Zurich abordaram o problema examinando três características que historicamente se correlacionam com a velocidade de barateamento de uma tecnologia: tamanho da unidade, complexidade de projeto e grau de customização exigido para implantação. Usinas de fusão, assim como instalações a carvão e de fissão nuclear, geram eletricidade a partir de calor, o que tende a demandar grandes estruturas físicas. Elas provavelmente exigirão menos customização do que reatores de fissão — sobretudo porque os marcos regulatórios e de segurança devem ser mais simples —, mas consideravelmente mais do que tecnologias modulares como painéis solares.

A complexidade, porém, é onde a fusão se destaca. O autor principal do estudo, Lingxi Tang, doutorando na ETH Zurich, observou que os especialistas consultados na pesquisa foram quase unânimes em classificar a fusão como extraordinariamente complexa, com alguns situando-a além da escala fornecida. Essa tríade — grande porte, alta complexidade, customização moderada — aponta para uma trajetória de custos lenta. Para efeito de comparação, a taxa de experiência da fissão nuclear gira em torno de 2%, enquanto a da energia eólica onshore chega a 12%. A fusão, concluem os pesquisadores, provavelmente ficará em algum ponto entre a fissão e a eólica — melhor do que o pior precedente, mas longe das quedas exponenciais de custo que tornaram solar e baterias forças dominantes nos mercados de energia.

Lógica de investimento sob pressão

As implicações do estudo vão muito além da engenharia. Se os custos da fusão caírem lentamente, o volume de implantação necessário para reduzir preços se torna assustador — e o horizonte temporal se estende proporcionalmente. A eletricidade gerada por usinas de fusão pode permanecer cara por décadas após os primeiros reatores comerciais entrarem em operação, um cenário que complica a proposta de valor da tecnologia frente a renováveis e armazenamento, que continuam barateando em curvas bem estabelecidas.

A conclusão do próprio Tang é direta: dado o ritmo de descarbonização necessário, cabe questionar se os níveis atuais de investimento em fusão representam o melhor uso do dinheiro público. Essa formulação será contestada. Egemen Kolemen, professor do Princeton Plasma Physics Laboratory, alertou contra a dependência excessiva de analogias históricas, lembrando que analistas em 2000 previam amplamente que a energia solar permaneceria cara — antes que o avanço manufatureiro da China derrubasse os preços. O contra-argumento é que a fusão ainda não produziu um único quilowatt-hora comercial, o que torna qualquer projeção de custo inerentemente especulativa. Regulações, geopolítica e mercados de trabalho podem remodelar a curva de maneiras que nenhum modelo consegue capturar hoje. O estudo focou apenas em confinamento magnético e confinamento inercial a laser — as duas abordagens que recebem mais financiamento —, deixando em aberto a possibilidade de que arquiteturas alternativas de fusão sigam trajetórias econômicas diferentes.

A tensão no centro do debate sobre fusão não é se a física pode ser viabilizada, mas se a economia vai cooperar mesmo que isso aconteça. Bilhões de dólares estão sendo alocados com base na premissa de que a fusão eventualmente se tornará competitiva. Se a taxa de experiência se revelar mais próxima de 2% do que de 20%, a distância entre conquista científica e viabilidade comercial pode persistir por muito mais tempo do que investidores e formuladores de políticas públicas hoje antecipam. À medida que cronogramas de implantação e curvas de custo continuam sendo refinados, a questão de quanto capital de descarbonização deve ser direcionado à fusão — em vez de tecnologias que já percorrem curvas acentuadas de queda de custo — permanece genuinamente em aberto.

Com reportagem de MIT Technology Review

Source · MIT Technology Review