A Represa do Miringuava, no sul do Brasil, passa por uma transformação digital. A Sanepar, companhia de saneamento do Paraná, colocou em campo uma frota de drones e sensores de alta precisão para mapear a topografia da bacia com um nível de detalhe antes reservado ao planejamento urbano de ponta. A partir de milhares de imagens captadas a 120 metros de altitude, ancoradas por antenas GNSS de alta precisão, os engenheiros produziram um modelo digital de terreno com resolução de 20 centímetros — um salto enorme em relação às curvas de nível de cinco metros usadas nas décadas anteriores.

Esse gêmeo digital permite uma visão "na palma da mão" da paisagem, segundo o engenheiro da Sanepar Mauricio Bergamini Scheer. A precisão não é mero exercício de cartografia em alta fidelidade; é um pré-requisito para a gestão hidrológica moderna. À medida que os padrões climáticos se tornam cada vez mais voláteis, a capacidade de simular como o reservatório vai encher, como se comportará durante secas extremas e como interagirá com o ecossistema ao redor é decisiva para a segurança hídrica de longo prazo da região metropolitana de Curitiba.

O projeto funciona como um estudo de caso sobre como infraestruturas legadas estão sendo equipadas com tecnologia preditiva. Além da simulação de cheias, os dados ajudaram a gerenciar as etapas finais de remoção de vegetação, garantindo que a área de inundação do reservatório fosse limpa com precisão cirúrgica. Enquanto cidades ao redor do mundo enfrentam a dupla pressão do crescimento populacional e da escassez hídrica, a adoção desses modelos digitais hiperlocais e de alta resolução representa uma evolução essencial na forma como gerimos nosso recurso mais fundamental.

Com reportagem de Canaltech.

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