Pré-sal financia expansão recorde do programa habitacional

O governo federal anunciou um aporte de R$ 20 bilhões (US$ 3,5 bilhões) no Minha Casa, Minha Vida, com recursos provenientes dos royalties do pré-sal. A realocação, confirmada pelo Ministério das Cidades, eleva o orçamento total do programa habitacional para 2026 ao patamar histórico de R$ 200 bilhões. A medida reforça a estratégia de usar a riqueza do petróleo para enfrentar déficits crônicos de infraestrutura e aquecer o setor da construção civil.

Faixa 4 continua sem solução

Embora o orçamento recorde tenha como objetivo encurtar a fila de espera de famílias de baixa renda, a expansão escancara uma lacuna persistente na política urbana do país. Analistas do setor observam que os recursos adicionais pouco avançam sobre o problema da Faixa 4 — faixa de renda média cujas famílias não se enquadram nos subsídios mais profundos, mas tampouco conseguem acessar o mercado imobiliário privado. Esse aperto sobre a classe média segue dificultando a criação de ambientes urbanos equilibrados e de alta densidade.

Desafio é transformar capital em crescimento urbano sustentável

O uso do Fundo Social — originalmente desenhado para canalizar royalties do petróleo para educação e saúde — no financiamento habitacional reflete uma mudança mais ampla nas prioridades da atual gestão, que aposta no desenvolvimento físico como vetor de equidade social. Contudo, à medida que o orçamento cresce, o desafio permanece na distribuição: garantir que injeções massivas de capital se convertam em crescimento urbano sustentável, em vez de apenas subsidiar uma faixa estreita do mercado imobiliário.

Com reportagem de Exame Inovação.

Source · Exame Inovação