O JPMorgan Chase rebaixou a recomendação do Banrisul, banco estatal do Rio Grande do Sul, para "underweight", sinalizando ceticismo quanto à capacidade da instituição de atravessar um cenário de crédito em deterioração. A decisão reflete preocupações crescentes de que a economia regional enfrenta uma mudança mais estrutural na qualidade dos ativos. Dados do Banco Central indicam que os índices de inadimplência no estado já superam a média nacional, sobretudo entre pessoas físicas e pequenas empresas, o que levou à revisão do preço-alvo do banco para R$ 15.

O rebaixamento se apoia em três preocupações centrais. A primeira é o custo de risco, que os analistas projetam alcançar 2,5% até 2027, à medida que as provisões para créditos duvidosos aumentam. Essa tendência sugere que os colchões financeiros necessários para absorver a inadimplência vão comprometer de forma significativa o resultado do banco. Além disso, o Banrisul enfrenta um obstáculo fiscal à frente: a renovação do contrato com o governo estadual para a gestão da folha de pagamento. Com custo estimado em R$ 1,2 bilhão — cerca de 16% do valor de mercado total do banco —, o acordo representa uma drenagem substancial de capital num momento de liquidez mais restrita.

Para além das pressões imediatas sobre o balanço, o JPMorgan destacou o persistente "gap de eficiência" que afeta instituições controladas pelo poder público. A dificuldade intrínseca de enxugar operações e reduzir custos de pessoal dentro de uma estrutura estatal costuma deixar esses bancos em desvantagem frente a concorrentes privados mais ágeis. No caso do Banrisul, a combinação de ventos contrários na economia regional com a inércia estrutural aponta um caminho difícil para investidores que navegam o setor financeiro brasileiro.

Com reportagem de InfoMoney.

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