Martin Peterson, nome de destaque na ética da tecnologia e na teoria normativa, deixará a Texas A&M University em agosto de 2026 para ingressar na Southern Methodist University (SMU). Na nova instituição, Peterson assumirá o cargo de Elizabeth Scurlock University Professor in Human Values e ocupará uma cátedra dotada especificamente dedicada à ética da inteligência artificial. A transição representa uma mudança significativa para ambas as universidades, num momento em que o escrutínio filosófico das tecnologias emergentes ganha centralidade tanto no debate acadêmico quanto no industrial.
A mudança vai além de uma transferência lateral comum no meio universitário — tudo indica que é uma resposta à deterioração do ambiente de autonomia intelectual. No início deste ano, Peterson teria recebido orientação de administradores da Texas A&M para remover textos fundacionais de Platão de seu currículo de filosofia. Esse episódio, somado à adoção de novas políticas restritivas pela universidade, catalisou sua decisão de partir. Peterson é o segundo professor de filosofia a deixar a instituição recentemente alegando preocupações com a liberdade acadêmica, depois de Linda Radzik ter se transferido para a Binghamton University.
O trabalho de Peterson sempre transitou pelas "zonas cinzentas" da filosofia moral. Seu livro mais recente, Ethics in the Gray Area: A Gradualist Theory of Right and Wrong, argumenta contra enquadramentos morais binários em favor de uma compreensão mais nuançada e incremental das obrigações éticas. Essa abordagem é particularmente relevante para sua nova função na SMU, onde liderará pesquisas sobre as dimensões morais da inteligência artificial — um campo em que as fronteiras entre utilidade, dano e agência são notoriamente difusas.
Com reportagem de Daily Nous.
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