No Palazzo Serbelloni, em Milão, a Louis Vuitton promoveu uma intervenção discreta em sua própria história. Na mais recente edição da coleção "Objets Nomades", a maison recuou até os anos 1920 para reeditar peças de Pierre Legrain, o designer responsável pela primeira incursão da marca no universo do mobiliário. A exposição funciona como uma ponte temporal: baús de arquivo são dispostos ao lado de experimentos contemporâneos para explorar como a linguagem da viagem se adapta à esfera doméstica.
A peça central dessa retrospectiva é a penteadeira "Celeste", reedição da criação de estreia de Legrain. Definida pela silhueta Omega característica do designer, a mesa utiliza madeira laqueada e couro Nomade para evocar o rigor geométrico da era Art Déco. Ao lado, a cadeira "Riviera Chilienne" — outra ressurreição de Legrain — combina madeira, couro e marchetaria em madrepérola, lembrando a obsessão daquele período pela opulência material e pela clareza estrutural.
Esse lastro histórico serve de contraponto às obras contemporâneas mais especulativas em exibição. No Boudoir, o "Cabinet Kaléidoscope" do Estudio Campana e a cintilante cadeira "Cocoon Dichroic" representam uma virada rumo a formas fluidas, quase orgânicas. Enquanto o trabalho de Legrain se apoiava na estabilidade arquitetônica do início do século 20, essas adições modernas sugerem um futuro de superfícies iridescentes e marchetaria de couro intrincada. Ao reunir épocas tão distintas dentro de um vagão de trem estilizado e dos salões grandiosos do Palazzo, a coleção enquadra o luxo não como um estilo estático, mas como uma evolução contínua do artesanato.
Com reportagem de Hypebeast.
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