Multilateralismo sob ataque

Durante a inauguração do pavilhão brasileiro na Hannover Messe nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma crítica contundente à erosão da ordem internacional. Diante de uma plateia na Alemanha, Lula descreveu um mundo "conflagrado", no qual o multilateralismo do pós-guerra está sendo sacrificado em nome de um novo unilateralismo fragmentado. Segundo ele, a "harmonia" institucional construída após 1945 para preservar a paz global está sendo sistematicamente descartada, privando a comunidade internacional dos instrumentos coletivos necessários para enfrentar as crises atuais.

"A humanidade está virando um algoritmo"

As declarações do presidente brasileiro se ancoraram em um apelo mais amplo pelo que ele chamou de "humanidade humana". Em alerta contra a lógica fria dos sistemas modernos, Lula sugeriu que a sociedade global está perdendo seu caráter essencial. "A humanidade está se tornando um algoritmo", observou, instando líderes a priorizarem a vida e a paz em detrimento da dominação técnica ou unilateral que, na sua avaliação, molda o cenário geopolítico atual.

Brasil quer subir na cadeia de valor

No plano doméstico, Lula conectou essa visão global às ambições industriais do Brasil. Ele afirmou que o país não aceitará mais ser "mero exportador" de matérias-primas, destacando especificamente os minerais de terras raras como setor em que o Brasil busca agregar valor. Ao posicionar o país como defensor tanto do multilateralismo quanto da soberania industrial, Lula procurou enquadrar a nação como mediadora indispensável em um mundo que ele enxerga como cada vez mais fragmentado e automatizado.

Com reportagem de InfoMoney.

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