Um palacete da Era Dourada vira palco de ilusionismo
No corredor da Michigan Avenue, em Chicago, a mansão McCormick ocupava há décadas o papel de relíquia da Era Dourada americana — mais recentemente reduzida a uma unidade da churrascaria Lawry's. Uma intervenção de US$ 50 milhões varreu as toalhas brancas e os salões de jantar antiquados, substituindo-os por um ambiente imersivo de 35 mil pés quadrados batizado de The Hand & The Eye. Trata-se agora do maior espaço de mágica do mundo, um exercício ambicioso de reúso adaptativo que troca tradição gastronômica por encantamento coreografado.
Experiência analógica em um mundo saturado de telas
A transformação, conduzida pelo escritório de arquitetura Rockwell Group e pelo estúdio de design Pentagram, reimagina o casarão histórico como uma sequência de experiências táteis encadeadas. Os visitantes entram por portas deslizantes de madeira e interagem com estímulos físicos — como um telefone que toca — para dar início a uma jornada de três horas. O ingresso de US$ 225 garante uma noite rigorosamente analógica: câmeras são proibidas, forçando uma atenção rara e sem mediação às ilusões apresentadas em uma sucessão de câmaras intimistas e teatros grandiosos.
Uma aposta de 100 anos no entretenimento físico
Por trás do projeto está Glen Tullman, investidor de venture capital de Chicago e entusiasta de mágica desde a infância, que define o espaço como um "empreendimento de 100 anos". Ao combinar hospitalidade de alto padrão com as exigências espaciais rigorosas de ilusionistas profissionais, Tullman aposta que o futuro do entretenimento urbano está em experiências físicas e de alta fricção. Em uma era de saturação digital, The Hand & The Eye propõe um retorno ao tangível — abrigado em uma estrutura que finalmente encontrou um propósito à altura de sua arquitetura.
Com reportagem de Fast Company.
Source · Fast Company



