Ferrovia cede passagem à história

Obras de infraestrutura costumam avançar com certa indiferença pelo terreno que revolvem, mas no México um projeto ferroviário bilionário está cedendo à história mais profunda da paisagem. A presidente Claudia Sheinbaum anunciou que o traçado planejado para a linha de passageiros entre a Cidade do México e Querétaro será desviado após a descoberta de 16 obras de arte pré-hispânicas — entre pinturas e petroglifos — ao longo do percurso no estado de Hidalgo.

Registros que atravessam milênios

Os achados, documentados pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), funcionam como uma ponte cronológica através da história mesoamericana. Algumas das pinturas rupestres remontam ao período Pós-Clássico — aproximadamente de 900 d.C. até a conquista espanhola em 1521 —, época marcada pela ascensão do Império Asteca. Outras figuras são muito mais antigas, recuando mais de 4.000 anos até o que arqueólogos classificam como pré-história.

Modernização versus patrimônio

A decisão de alterar o traçado da linha de trânsito de US$ 8 bilhões evidencia a tensão persistente entre os esforços de modernização do México e seu compromisso com o patrimônio arqueológico. Embora o projeto ferroviário continue sendo peça central da infraestrutura nacional, a preservação dessas figuras humanas e zoomorfas sugere que, ao menos neste caso, os vestígios do passado estão sendo tratados como algo mais do que meros obstáculos ao progresso.

Com reportagem de Hyperallergic.

Source · Hyperallergic