Desmond Morris, zoólogo e escritor britânico que transformou a percepção pública sobre a natureza humana ao tratar o Homo sapiens como apenas mais uma espécie de primata, morreu aos 98 anos. Seu filho, Jason Morris, confirmou a morte no domingo, encerrando uma carreira que se estendeu por quase um século de investigação científica e exploração artística.
Morris alcançou projeção internacional com a publicação de The Naked Ape (O Macaco Nu), em 1967. O livro era uma provocação: despojava as camadas de cultura e religião para examinar o comportamento humano — dos rituais de acasalamento às hierarquias sociais — sob o olhar frio e analítico de um etólogo. Tornou-se um best-seller global, traduzindo conceitos biológicos complexos em linguagem acessível para um público ávido por compreender suas próprias origens animais.
Além da palavra escrita, Morris foi um pioneiro da divulgação de história natural na televisão. Como apresentador do programa Zoo Time, da ITV, e de diversos documentários da BBC, levou as minúcias da vida animal às salas de estar durante os anos formativos da TV. Tinha uma rara capacidade de conectar observação rigorosa e narrativa popular, tornando o estudo do comportamento acessível sem sacrificar sua complexidade inerente.
Sua vida intelectual, porém, não se limitou ao laboratório ou ao estúdio. Morris era também um pintor surrealista de mérito, que enxergava sua arte e sua ciência como métodos complementares para explorar o mesmo terreno: os impulsos subconscientes e evolutivos que definem a experiência humana. Permaneceu ativo em ambos os campos até seus últimos anos, um dos derradeiros representantes de uma tradição de polímatas do meio do século XX.
Com reportagem de The Guardian Science.
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