Elon Musk recusou participar de uma entrevista voluntária com promotores de Paris, aprofundando o atrito jurídico entre reguladores europeus e o vasto império tecnológico do bilionário. A investigação tem como foco o Grok, modelo de IA generativa desenvolvido pela xAI e integrado à plataforma X. Segundo as autoridades francesas, o modelo produziu aproximadamente 23 mil imagens sexualizadas de crianças e mais de 3 milhões de imagens sexualizadas no total durante uma janela de apenas 11 dias.

O caso envolve cinco supostas infrações penais, incluindo cumplicidade na distribuição de material de abuso sexual infantil (CSAM). Embora a investigação francesa busque responsabilizar os envolvidos pelos resultados gerados pelo modelo, o inquérito tem enfrentado obstáculos significativos além da ausência de Musk. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos teria se recusado a prestar assistência à investigação francesa, evidenciando a crescente divisão jurisdicional sobre como potências globais regulam a fronteira da inteligência artificial.

O impasse ressalta a pressão cada vez maior sobre desenvolvedores de IA para implementar mecanismos robustos de segurança. À medida que modelos generativos se tornam mais capazes, a responsabilidade jurídica por seus resultados autônomos permanece um campo de batalha legal em disputa. Para Musk, cuja gestão da X tem sido marcada por uma relação conturbada com a moderação de conteúdo, a investigação francesa representa um teste significativo de até onde Estados soberanos conseguem estender seu alcance sobre a infraestrutura digital da elite do Vale do Silício.

Com reportagem de The Next Web.

Source · The Next Web