A Nike, outrora rainha inconteste tanto das pistas quanto das ruas, entrou num período de introspecção estratégica. Depois de anos priorizando um modelo digital direto ao consumidor e apostando pesado na estética lifestyle, a empresa agora sinaliza uma virada de volta aos seus princípios fundadores: esporte de alta performance e inovação técnica de produto.
A mudança equivale a um reconhecimento de que a marca pode ter se afastado demais do "motor de inovação" que a definiu desde a origem. A gestão atual está concentrada em reconstruir relações desgastadas com parceiros do varejo físico — as lojas multimarcas que foram deixadas de lado durante a investida digital — e em acelerar o desenvolvimento de novos equipamentos de performance. O objetivo é retomar participação de mercado perdida para concorrentes especializados que avançaram enquanto a atenção da Nike estava em outro lugar.
A reação do mercado a essa correção de rota, porém, tem sido tímida. Embora analistas reconheçam a necessidade de voltar ao básico, cresce o ceticismo em relação ao ritmo da recuperação. Reconstruir canais de distribuição no varejo e renovar linhas de produto com ciclos longos de desenvolvimento são processos demorados, e investidores questionam se a Nike consegue se mover rápido o suficiente para atender a um mercado consumidor em desaceleração. Por ora, o Swoosh corre uma prova de fundo — mas Wall Street quer ver um sprint.
Com reportagem de [Exame Inovação].
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