O polietileno é o material invisível que sustenta o cotidiano moderno — está em sacolas de supermercado, tábuas de corte, embalagens de todo tipo. Mas a mesma estabilidade química que o torna útil faz dele um problema ambiental persistente. A reciclagem mecânica existe, porém costuma degradar a qualidade do material. Durante anos, a alternativa mais promissora foi a pirólise, processo que decompõe o plástico em combustível, mas a necessidade de temperaturas acima de 450 graus Celsius sempre tornou a operação cara e intensiva em energia.

Uma equipe do Oak Ridge National Laboratory (ORNL) propõe agora uma solução mais elegante. Descrito no Journal of the American Chemical Society, o método utiliza uma mistura de sais fundidos e cloreto de alumínio. A combinação cumpre dupla função: age ao mesmo tempo como solvente e catalisador, permitindo que o plástico se decomponha em componentes de gasolina e diesel sem o calor extremo normalmente exigido.

O avanço decisivo está na estabilidade desses sais inorgânicos, que permanecem eficazes mesmo sob condições de reação severas. Ao reduzir o limiar térmico necessário, o processo diminui de forma significativa o custo energético da reciclagem química. Se for escalável, a técnica pode transformar resíduos plásticos — hoje um passivo de aterro sanitário — em matéria-prima viável para o setor de energia, oferecendo uma ponte rara entre o passado petroquímico e um futuro mais circular.

Com reportagem de Xataka.

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