Em fóruns de recursos humanos e retiros corporativos, o roteiro já se tornou previsível. Um executivo sobe ao palco e discursa com convicção ensaiada sobre "missões transformadoras" e a necessidade de "trabalho com significado". O propósito é apresentado não apenas como meta, mas como produto — uma narrativa curada para inspirar. A plateia acena em concordância, mas a tensão subjacente permanece palpável.

As fissuras nesse discurso aparecem invariavelmente na sessão de perguntas e respostas. A mesma questão se repete: se o propósito corporativo é tão convincente, por que a geração Z continua se recusando a embarcar? A resposta aponta para um mal-entendido fundamental sobre o que a mais nova coorte da força de trabalho de fato valoriza. Enquanto gerações anteriores podiam se contentar com um "porquê" corporativo bem embalado, os profissionais mais jovens são cada vez mais céticos em relação ao idealismo imposto de cima para baixo.

Para a geração Z, a moeda de troca é autenticidade, não propósito fabricado. Essa geração tem uma habilidade singular para identificar a distância entre os valores que uma empresa projeta publicamente e a realidade de suas operações no dia a dia. Quando o propósito é vendido como ferramenta de recrutamento em vez de ser vivido como base cultural, ele perde sua força. Para superar esse abismo, líderes precisam abandonar a retórica da transformação e abraçar a verdade crua sobre como suas organizações realmente funcionam.

Com reportagem de Exame Inovação.

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