O caos dos perecíveis

Nos bastidores dos supermercados americanos, a gestão de produtos frescos sempre foi, na prática, um exercício de adivinhação bem-informada. Enquanto itens embalados são facilmente rastreados por códigos de barras e sistemas automáticos de reposição, o universo dos perecíveis — os morangos, a carne bovina, os filés de salmão — é muito mais caótico. A cada ano, redes varejistas dos Estados Unidos descartam aproximadamente quatro milhões de toneladas de alimentos, uma ineficiência de US$ 27 bilhões gerada, em grande parte, pela dificuldade de ajustar a oferta aos ritmos voláteis da demanda do consumidor.

Caneta, papel e desperdício

Durante décadas, esse controle foi feito de forma manual. Gerentes de loja frequentemente dependiam de planilhas impressas e canetas para estimar o estoque — um processo incapaz de dar conta das realidades físicas dos alimentos frescos. Frutas e verduras vendidas por peso podem literalmente evaporar à medida que perdem água; maçãs orgânicas são confundidas com convencionais nos caixas de autoatendimento; e produtos estragados muitas vezes vão para o lixo sem qualquer registro. Essa falta de precisão alimenta um ciclo vicioso de pedidos excessivos e deterioração.

Da prancheta ao algoritmo

A Afresh, startup fundada pelos egressos do MBA de Stanford Matt Schwartz e Nathan Fenner, quer substituir esses hábitos analógicos por inteligência preditiva. Ao analisar centenas de bilhões de pontos de dados, o software da empresa ajuda lojas a reduzir o desperdício em até 25%. A companhia anunciou recentemente uma captação de US$ 34 milhões, co-liderada por Just Climate e High Sage Ventures, para escalar suas operações. Em um setor definido por margens ultrafinas e pegadas ambientais enormes, a transição da prancheta para o algoritmo está deixando de ser luxo para se tornar necessidade.

Com reportagem de Fast Company.

Source · Fast Company