A fricção deliberada

Num setor cada vez mais definido pela otimização algorítmica e pelo polimento digital asséptico, Catherine Garner — conhecida profissionalmente como Slayyyter — oferece uma fricção deliberada. Surgida dos subúrbios de St. Louis via SoundCloud, a artista pop construiu carreira sobre letras cortantes e uma textura sonora tão brutal quanto contagiante. Sua música, exemplificada por faixas como "Wor$t Girl in America", funciona como trilha visceral de pista de dança sem abrir mão de uma aspereza crua, sem acabamento.

"Hillbilly Realness" no Coachella

Durante sua recente aparição no Coachella, Garner mergulhou de cabeça numa estética que ela descreve como "Hillbilly Realness", subindo ao palco com botas enlameadas e um figurino DIY montado por ela mesma. Esse visual de "bailarina do interior" funciona como manifesto visual de sua carreira: uma mistura calculada de glamour elevado e rusticidade de baixa cultura. É uma rejeição da estética "clean girl" em favor de algo mais visceral e fiel às suas raízes do Meio-Oeste americano.

Do figurino de infância à recusa do polimento

O interesse de Garner pelo poder do figurino começou na infância, com um par de sapatilhas vermelhas de O Mágico de Oz — um presente que ela guarda até hoje. Aquela centelha inicial evoluiu para um estilo que oscila entre a androginia despojada e o drama hiperfeminino, espelhando uma produção musical que se recusa a ser aparada para o consumo de massa. Ao abraçar o "não otimizado", Slayyyter encontra um caminho para falar diretamente a uma geração cansada da perfeição curada.

Com reportagem de i-D.

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