Urbanistas há muito tratam pontes e túneis como soluções definitivas para divisões geográficas, apesar de seus custos astronômicos e de sua pegada ambiental permanente. Um projeto-piloto recente na Noruega, porém, coloca esse paradigma em xeque. Ao colocar em operação pequenas balsas elétricas e autônomas, a iniciativa sugere que cursos d'água não deveriam ser vistos como obstáculos a serem transpostos, mas como corredores de trânsito já existentes à espera de uso.

A embarcação em questão opera com uma fração dos custos exigidos por projetos tradicionais de engenharia civil. Diferentemente de uma ponte — um ativo fixo, com capacidade rígida —, uma frota de balsas elétricas pode ser ampliada ou redirecionada conforme a demanda em tempo real. Essa flexibilidade representa uma mudança de infraestrutura "pesada" para uma mobilidade "leve", orientada por software, que se integra ao tecido urbano sem os prazos de construção de uma década normalmente associados a grandes travessias.

Para além das vantagens logísticas, a transição para propulsão elétrica resolve as preocupações históricas com ruído e poluição ligadas ao transporte aquaviário urbano. Silenciosas e com emissão zero, essas embarcações permitem que cidades recuperem suas orlas para uso residencial sem abrir mão de um serviço de transporte de alta frequência. Num momento em que municípios ao redor do mundo lidam com infraestrutura envelhecida e orçamentos cada vez mais apertados, o modelo norueguês apresenta um argumento convincente: olhar para a água, em vez do céu ou do subsolo.

Com reportagem de Electrek.

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