O homem por trás do chip
Na hierarquia meticulosa da cúpula executiva da Apple, o poder costuma ser medido pela distância entre a visão de um líder e a realidade física do hardware. Durante anos, Johny Srouji ocupou exatamente essa lacuna. Após uma reorganização de liderança que posicionou John Ternus no comando, Srouji — o engenheiro israelense que orquestrou o divórcio da Apple com a Intel — emergiu como, possivelmente, a segunda figura mais poderosa dentro da empresa.
De Haifa a Cupertino
Nascido em Haifa e formado pelo Technion, Srouji chegou à Apple em 2008, depois de passagens pela Intel e pela IBM. Seu mandato era singular: trazer para dentro de casa o design dos componentes mais vitais da companhia. O resultado foi uma aula de uma década em integração vertical. Começando pelo chip A4, em 2010, e culminando no A7 de 64 bits e na revolucionária linha M1, Srouji transformou a Apple de uma empresa de eletrônicos de consumo em uma potência de semicondutores, encerrando a dependência de silício de terceiros e concedendo à empresa controle total sobre seu roteiro de produtos.
Quem faz o chip detém as chaves
A ascensão de Srouji reflete uma mudança mais ampla na cultura interna da Apple. Se a empresa já foi definida pela pureza estética de seu design industrial, a era atual é definida por desempenho e eficiência. Como vice-presidente sênior de Hardware Technologies, a influência de Srouji agora se estende para além do laboratório; ele é o arquiteto dos sistemas que permitem ao software e ao hardware da Apple alcançar sua sinergia característica. Numa indústria cada vez mais moldada pelos limites da física e pelas demandas da inteligência artificial, o homem que constrói os chips detém as chaves do reino.
Com reportagem de Xataka.
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