Um prêmio para a cultura do reparo

O Prêmio Mies van der Rohe 2026 foi concedido à revitalização do Palais des Expositions de Charleroi, um vasto centro de convenções dos anos 1950 na Bélgica. O projeto, conduzido pelos escritórios AgwA e Architecten Jan de Vylder Inge Vinck, é resultado de um esforço de sete anos para reativar uma estrutura de 50 mil metros quadrados, relíquia do modernismo do pós-guerra. Ao escolher esse projeto, o júri sinaliza uma mudança clara no espírito do tempo arquitetônico, privilegiando o reparo cirúrgico de edificações existentes em detrimento do impulso — intensivo em carbono — de construir do zero.

Trabalhar com o que já existe

O edifício original, de 1954, era um monumento à escala da era industrial, mas havia se tornado cada vez mais desconectado do tecido urbano contemporâneo. Em vez de propor uma reforma total, a equipe de projeto optou por uma abordagem "ousada e engenhosa" que operou dentro das limitações inerentes à construção. A intervenção envolveu a remoção de certas fachadas e a retirada seletiva de elementos para desbloquear novas possibilidades espaciais, transformando o sítio vasto e monolítico em um ambiente mais poroso e social.

Escassez como oportunidade

Em sua justificativa, o júri elogiou o projeto por demonstrar como a arquitetura pode converter escassez em oportunidade. Ao tratar o "reparo" como estratégia projetual poderosa, os arquitetos conseguiram preservar o peso histórico do Palais e, ao mesmo tempo, adaptá-lo ao uso contemporâneo. Trata-se de um exercício de contenção que sugere que o futuro do urbanismo europeu não está no espetáculo de novas formas, mas na gestão inteligente das estruturas que já existem.

Com reportagem de Dezeen Architecture.

Source · Dezeen Architecture