Conectividade contra a parede regulatória
A conectividade no México esbarra em uma barreira regulatória. A Telcel, gigante das telecomunicações sob o guarda-chuva da América Móvil, registrou uma divergência acentuada em seu desempenho no primeiro trimestre de 2025. Enquanto a empresa conseguiu adicionar 91 mil assinantes pós-pagos, perdeu 482 mil usuários pré-pagos. A companhia atribui essa volatilidade não à falta de demanda, mas a uma nova exigência da Comissão Reguladora de Telecomunicações (CRT) que obriga todas as linhas móveis a serem vinculadas a uma identidade verificada.
A resistência ao registro
A política, em vigor desde 9 de janeiro, impõe um prazo final em 30 de junho. Após essa data, qualquer linha não registrada ficará restrita a chamadas de emergência, o que na prática desconecta o usuário da rede. Para um mercado fortemente dependente do anonimato e da flexibilidade dos modelos de recarga avulsa, o atrito do cadastro está se mostrando um obstáculo considerável. Dados da CRT revelam uma hesitação profunda entre os consumidores: dos 84,3 milhões de assinantes da Telcel, apenas 5,7 milhões completaram o vínculo até agora.
Transparência institucional versus acesso anônimo
Essa tensão entre vigilância estatal e privacidade do consumidor está redesenhando o cenário para a maior operadora do México. Embora a base total de assinantes da Telcel tenha crescido modestos 0,4% na comparação anual, a queda acentuada no segmento pré-pago sinaliza uma mudança mais ampla. À medida que o prazo de junho se aproxima, o setor enfrenta uma potencial desconexão em massa — uma triagem digital que prioriza a transparência institucional em detrimento do acesso anônimo e sem fricção que ajudou a construir a era móvel na América Latina.
Com reportagem de Expansión MX.
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