Petra Collins construiu sua carreira sobre um tipo específico de delegação provocativa. Em seu projeto mais recente, uma matéria de capa para a i-D, a fotógrafa colocou a câmera nas mãos de sua irmã mais nova, Anna. Foi uma inversão de uma dinâmica que já dura mais de uma década; Anna posa para Petra desde antes de qualquer uma das duas ter idade para dirigir, e suas primeiras colaborações migraram aos poucos de quartos de adolescente para livros de arte de mesa de centro e os moodboards fundacionais da era Tumblr.
Essa "energia de irmã mais velha" é o motor da produção criativa de Collins. É uma sensibilidade que vai além dos laços de sangue e alcança a geração de ícones pop — Selena Gomez, Olivia Rodrigo e Addison Rae — que a procuraram para definir suas identidades visuais. Nas mãos de Collins, essas figuras não são meras modelos, mas participantes de uma linhagem atmosférica e curada. Ela trata a estrela pop contemporânea com a mesma lente íntima e levemente difusa que antes reservava para as amigas de infância nos subúrbios do Canadá.
Embora ainda não tenha dirigido um longa-metragem, Collins opera com a visão totalizante de uma autora. Seu trabalho tem menos a ver com capturar um momento do que com construir um ambiente. Comparações com John Waters ou Sofia Coppola são pertinentes; suas fotografias funcionam como cartões-postais de um universo alternativo persistente, onde a iluminação é perpetuamente suave e o ar é denso com o artifício de uma máquina de fumaça.
À medida que avança no papel de construtora de mundos, a influência de Collins aponta para uma mudança na forma como consumimos celebridades. Sua estética oferece uma contranarrativa à imagética polida e estéril do estrelato tradicional, substituindo-a por uma vulnerabilidade onírica e colaborativa. É um mundo onde a fronteira entre quem fotografa e quem é fotografado se dissolve de propósito, governado pelo olhar intuitivo, protetor e muitas vezes exigente de uma irmã mais velha.
Com reportagem de i-D.
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