O teto termodinâmico do silício

Há décadas, a eficiência da energia solar esbarra num limite termodinâmico fundamental. Células tradicionais de silício são notoriamente desperdiçadoras: dissipam cerca de metade da luz solar captada na forma de calor residual, em vez de convertê-la em eletricidade utilizável. Um grupo de pesquisadores japoneses, porém, publicou um estudo no Journal of the American Chemical Society (JACS) que aponta um caminho para contornar essa barreira por meio de uma solução química sofisticada.

Fissão de singleto: dois elétrons pelo preço de um

A inovação gira em torno do uso de complexos de molibdênio para viabilizar um processo conhecido como fissão de singleto. Em materiais fotovoltaicos convencionais, um fóton de luz gera um elétron. Na fissão de singleto, um único fóton de alta energia é absorvido e sua energia é dividida em dois estados excitados independentes — produzindo, na prática, dois elétrons a partir de um só. Embora o fenômeno já tenha sido observado antes, o desafio sempre foi alcançá-lo em um material sintético estável que funcione de forma eficaz à temperatura ambiente.

Da teoria à infraestrutura renovável

Ao otimizar o chamado "spin-flip" nessas estruturas de molibdênio, os cientistas criaram um material que captura o excesso de energia normalmente perdido para o ambiente. Trata-se de mais do que um ganho incremental: é uma mudança fundamental na forma como a próxima geração de infraestrutura renovável pode ser projetada. Se esses materiais à base de molibdênio puderem ser escalados e integrados a painéis comerciais, a eficiência da captação solar poderia, em tese, dobrar — transformando desde a geração de energia em escala de rede até a autonomia de dispositivos eletrônicos pessoais.

Com reportagem de Olhar Digital.

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