No ateliê que mantém no centro de Los Angeles, Kelly Reemsten cultiva um acervo têxtil criterioso. Araras com peças de Dior, Carolina Herrera e Yves Saint Laurent funcionam ao mesmo tempo como artefatos e musas. Conhecidas por suas silhuetas clássicas e presença arquitetônica, essas roupas há tempos ocupam o centro das pinturas a óleo da artista — obras que frequentemente justapõem a elegância refinada da alta-costura a um peso sutil e subversivo.

Sua série mais recente, "Fool's Gold", em cartaz na galeria Albertz Benda em Los Angeles, desloca o foco para o metálico. Reunindo um conjunto de novas pinturas a óleo e serigrafias embelezadas à mão, a coleção é um estudo dedicado ao lamê dourado e aos paetês. A mudança vai além da paleta: Reemsten descreve a exposição como uma investigação sobre o reflexo. Ao capturar o modo complexo como a luz interage com texturas sintéticas e metálicas, ela traduz o brilho efêmero de um instante de passarela na permanência do pigmento denso.

O processo de Reemsten se ancora num respeito profundo pela roupa como objeto de design. Seu ateliê abriga uma coleção crescente de peças de alta-costura — incluindo aquisições recentes de estilistas como Molly Goddard — que ela trata como uma biblioteca viva. Esse impulso arquivístico garante que cada textura, do volume generoso de uma silhueta contemporânea ao bordado minucioso de um vestido vintage, seja reproduzida com fidelidade tátil e precisa. Em "Fool's Gold", o brilho superficial das roupas se torna uma lente para observar a interseção entre luxo, identidade e a arte do arquivo.

Com reportagem de Cool Hunting.

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