A assinatura noturna do planeta está se intensificando, mas o brilho já não se espalha com a uniformidade previsível das décadas anteriores. Segundo estudo de pesquisadores da University of Connecticut financiados pela NASA, a luminosidade artificial da Terra registrou um aumento líquido de 16% entre 2014 e 2022. Embora a tendência de um mundo mais iluminado permaneça intacta, os dados revelam uma nova era de volatilidade no modo e nos locais em que essa luz é emitida.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram mais de 1,1 milhão de imagens de satélite captadas ao longo de nove anos. O mapa resultante da luminosidade global reflete mais do que a simples expansão urbana — funciona como um barômetro sensível das perturbações provocadas pela atividade humana. A escalada constante de períodos anteriores deu lugar a um padrão mais errático, ditado por choques localizados como a pandemia de COVID-19, oscilações nas fortunas econômicas e um mosaico de novas regulações voltadas a conter a poluição luminosa.

Essa volatilidade sugere que o "brilho do Antropoceno" está se tornando tanto um reflexo de políticas públicas e crises quanto de desenvolvimento. Em algumas regiões, a estagnação econômica ou legislações ambientais rigorosas reduziram a iluminação, enquanto em outras a industrialização acelerada continua empurrando a escuridão para mais longe. O estudo sublinha a complexidade de tratar a luz como poluente: mesmo quando certas cidades apagam suas ruas para proteger ecossistemas locais, o agregado global segue em alta.

Com reportagem de The Guardian Science.

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