O campo como passarela: o adidas Predator 26 de Wales Bonner

A fronteira entre as exigências técnicas do esporte profissional e o rigor estético da alta-costura segue cada vez mais tênue. Com o lançamento do adidas Predator 26 "Snakeskin", a estilista Grace Wales Bonner projeta sua lente sartorial sobre o gramado, reimaginando uma das silhuetas mais icônicas do futebol como objeto de luxo.

A chuteira, peça central de uma cápsula mais ampla da Primavera 2026, se distancia das paletas carregadas de neon típicas do calçado esportivo contemporâneo. Em vez disso, adota uma estampa de pele de cobra em tons terrosos sobre o cabedal "STRIKESKIN". A textura orgânica é pontuada por acabamentos cromados nas Three Stripes e na sola "CONTROLFRAME 2.0", criando uma tensão entre o caráter arquival da estampa e a mecânica futurista da construção da chuteira.

A colaboração reflete uma tendência crescente em que equipamentos de performance recebem o mesmo cuidado minucioso da alfaiataria sob medida. O branding assimétrico — com a inscrição "Wales Bonner" na chuteira esquerda — e o endosso de Myles Lewis-Skelly, do Arsenal, sinalizam uma mudança na forma como as marcas abordam o "jogo bonito". Já não basta que uma chuteira tenha desempenho; ela agora precisa carregar uma narrativa e uma linguagem de design que ressoem muito além dos refletores do estádio.

Com reportagem de Hypebeast.

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