Para o salmão atlântico, o Rio Bidasoa, na fronteira entre a Espanha e a França, não é apenas um local de desova, mas um termômetro biológico da crise climática. Atuando como o "canário na mina" da Europa, a espécie enfrenta agora um obstáculo mais letal que a pesca ou doenças: o calor. Dados da sociedade pública Orekan revelam que, nos anos mais quentes, mais de metade dos exemplares morre antes de completar o ciclo reprodutivo, vítimas diretas do aquecimento das águas.

O monitoramento por radiotelemetria realizado nos últimos sete anos expõe uma correlação fatal. Quando a temperatura do rio ultrapassa os 20 °C, o salmão entra em estresse fisiológico profundo. Como adultos em migração não se alimentam, o esforço metabólico para processar o calor consome as reservas de energia que deveriam ser usadas na subida do rio. O resultado é uma jornada interrompida pela exaustão térmica.

A ciência estabelece limites rígidos para a sobrevivência da espécie. O crescimento ideal ocorre entre 16 e 20 °C, estagnando completamente ao atingir os 23 °C — o que explica por que os sobreviventes estão cada vez menores. Com o limite letal estimado em 27,8 °C, a situação no Bidasoa é um prenúncio sombrio para a biodiversidade europeia, onde a termodinâmica de um planeta aquecido está reescrevendo as rotas migratórias.

Com informações de Xataka.

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