A Afsluitdijk, nos Países Baixos — uma via elevada de 32 quilômetros que funciona como barreira primária contra o Mar do Norte desde 1932 —, é um monumento da engenharia hidráulica. Mas, com a elevação do nível do mar, até monumentos precisam de manutenção, e a conta da reforma recente chegou à casa das centenas de milhões. Para administrar o custo, o governo holandês optou por um arranjo de financiamento privado de 25 anos, transferindo o peso financeiro imediato a um consórcio de empreiteiras em troca de pagamentos de longo prazo.
Esse modelo deixou de ser exceção para se tornar necessidade. Um novo relatório do C40, rede global de cidades voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, argumenta que o enorme déficit de financiamento para adaptação climática não pode ser coberto apenas pelos cofres públicos. De Washington, D.C., a Dakar, no Senegal, o custo de proteger centros urbanos contra eventos climáticos extremos e a elevação das marés pode chegar a centenas de bilhões de dólares — cifra que ultrapassa em muito os orçamentos municipais atuais.
O relatório do C40, divulgado durante a reunião de primavera do Banco Mundial desta semana, apresenta 10 estudos de caso como "prova de conceito" para a colaboração público-privada. Ao atrair investidores externos, cidades podem dar início a projetos de infraestrutura de grande escala — como a agora reforçada Afsluitdijk — sem a paralisia provocada pelos custos iniciais. O objetivo é deslocar a conversa do risco teórico para o investimento concreto.
À medida que a volatilidade climática se intensifica, a sobrevivência de cidades costeiras e sujeitas a inundações pode depender menos da receita tributária tradicional e mais dessas estruturas financeiras sofisticadas. A Afsluitdijk continua sendo um baluarte contra a água, mas seu legado mais importante talvez seja o modelo que oferece para a forma como o mundo financia a própria preservação.
Com reportagem de Grist.
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