Há tempos usamos a linguagem da dor física para descrever o fim de uma relação amorosa. Falamos em "coração partido" e "golpe devastador", tratando a experiência como um trauma psicológico. No entanto, uma pesquisa recente de Harvard sugere que essas expressões podem ser mais literais do que metafóricas. O término de um relacionamento parece desencadear uma cascata de alterações fisiológicas com impacto direto sobre o sistema imunológico.

O estudo mostra como o estresse agudo associado a um rompimento pode alterar o funcionamento imunológico, deixando o indivíduo mais vulnerável a doenças. Não se trata apenas de um efeito colateral do descuido com a saúde ou da privação de sono — embora esses fatores certamente contribuam —, mas de uma mudança fundamental na forma como o corpo administra suas defesas internas em períodos de isolamento social e turbulência emocional.

Ao quantificar a relação entre vínculos sociais e resiliência biológica, a pesquisa reforça uma compreensão cada vez mais consolidada do corpo como um sistema profundamente integrado. Quando uma conexão afetiva primária é rompida, a resposta de estresse resultante pode suprimir justamente os mecanismos destinados a nos proteger. O coração partido, ao que tudo indica, não é apenas um estado de espírito — é um estado mensurável do corpo.

Com reportagem de Exame Inovação.

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