A promessa de que a inteligência artificial (IA) funcionaria estritamente como um braço direito da produtividade começa a ser confrontada por dados concretos no mercado de trabalho brasileiro. Um estudo inédito conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, aponta que a tecnologia já está corroendo postos de trabalho e achatando rendimentos, atingindo de forma mais aguda a população jovem.
Utilizando dados da Pnad Contínua do IBGE, a pesquisa comparou trabalhadores com perfis similares antes e depois da popularização da IA generativa, iniciada no fim de 2022. O resultado indica que brasileiros entre 18 e 29 anos que atuam em áreas de alta exposição tecnológica — como o setor financeiro e serviços de informação — têm hoje 5% menos chance de estarem empregados do que teriam em um cenário sem esse nível de automação.
O impacto não se restringe apenas à disponibilidade de vagas, mas atinge também o bolso. Ao analisar o grupo mais exposto às ferramentas de IA, o levantamento observou uma perda salarial relativa em comparação a ocupações menos afetadas. O fenômeno sugere que a velocidade da substituição de tarefas cognitivas está superando, no curto prazo, a capacidade de o mercado absorver essa mão de obra em novas funções.
Com informações de Olhar Digital.
Source · Olhar Digital



