Um ano de paralisia autoimposta

Ao longo do último ano, a Federal Emergency Management Agency (FEMA) viveu em estado de paralisia autoimposta. Sob a direção da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, as funções centrais da agência foram em grande parte suspensas por um congelamento nos gastos de recuperação e resposta a desastres. Esse bloqueio orçamentário, somado a um expurgo mais amplo do funcionalismo federal liderado por Elon Musk, travou bilhões de dólares destinados a comunidades locais e esvaziou o principal mecanismo de resposta a desastres do país.

Consequências no terreno

As consequências dessa inércia institucional foram sentidas de forma aguda na ponta. Durante as enchentes catastróficas de 4 de julho no centro do Texas, a resposta federal sofreu atrasos notáveis, e memorandos internos vazados indicavam um plano para cortar quase pela metade o efetivo de campo. Críticos e denunciantes internos também apontaram uma tendência perturbadora de pedidos de auxílio sendo retardados ou negados — em especial aqueles vindos de estados controlados pelo Partido Democrata —, sugerindo que a missão da agência havia sido engolida por atritos partidários.

Nova liderança, velhos escombros

A recente demissão de Noem — após uma série de controvérsias que vão de operações de imigração a acusações de ter enganado o Congresso — abriu uma janela para a reparação institucional. Seu sucessor, o ex-senador de Oklahoma Markwayne Mullin, assumiu o cargo com o mandato de restaurar a capacidade operacional básica da FEMA. Mullin já demitiu boa parte dos principais auxiliares de Noem e descartou publicamente o congelamento de gastos anterior como "microgerenciamento" improdutivo.

Uma corrida contra o clima

A promessa mais significativa de Mullin é a nomeação de um administrador permanente para liderar a FEMA, cargo que permaneceu vago durante toda a gestão de Noem. Embora a nova liderança sinalize uma virada de volta à governança funcional, a agência segue frágil. Após um ano de cortes de pessoal e preparação estagnada, a tarefa de reconstruir uma rede federal de proteção confiável é agora uma corrida contra um clima cada vez mais volátil.

Com reportagem de Grist.

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