O preço da alavancagem
Durante anos, a Altice de Patrick Drahi foi a protagonista de uma expansão alavancada que redesenhou o cenário global de telecomunicações. Agora, a conta chegou. Um consórcio formado pelas três outras grandes operadoras francesas — Bouygues, Free-iliad e a líder de mercado Orange — entrou em negociação exclusiva para adquirir a SFR, joia da coroa da Altice, por €20,3 bilhões. O acordo, ao qual Drahi resistiu por muito tempo, representa uma rendição pragmática diante dos juros elevados e do peso esmagador da alavancagem da Altice.
Como ficam os pedaços
Se concluída até o prazo de 15 de maio, a transação vai desmontar na prática a segunda maior operadora da França e distribuir seus ativos. A Bouygues deve ficar com a maior fatia, absorvendo 42% da SFR, incluindo a lucrativa divisão corporativa (B2B). Free-iliad e Orange ficarão com 31% e 27%, respectivamente. Para o consumidor francês, o negócio encerra a era competitiva de quatro grandes operadoras e contrai o mercado para uma estrutura de três pilares — movimento que espelha consolidações recentes no Reino Unido e em outros mercados europeus.
Escala como necessidade
A operação nasce tanto da necessidade quanto da oportunidade. Manter infraestrutura moderna de fibra óptica e 5G exige investimentos de capital contínuos e vultosos — um fardo cada vez mais difícil de sustentar individualmente. Ao repartir a SFR, as operadoras remanescentes buscam a escala necessária para bancar esses investimentos. O acordo, porém, ainda enfrenta um obstáculo considerável: os reguladores franceses precisam decidir se os ganhos de um setor mais estável compensam o risco de menos concorrência e preços mais altos.
Com reportagem de Brasil Journal Tech.
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