Ceticismo do consumidor freia a transição elétrica no Brasil

A transição global para a mobilidade elétrica esbarra em um muro de ceticismo do consumidor no Brasil. Segundo estudo recente da empresa de pesquisa de mercado Ipsos, apenas 36% dos brasileiros demonstram interesse genuíno em dirigir ou adquirir um veículo elétrico (EV). O dado sugere que, apesar do marketing agressivo de tecnologias verdes e da chegada de marcas internacionais de EVs à região, a maioria da população segue sem se convencer.

A hesitação reflete um descompasso mais amplo entre aspirações ambientais e as realidades práticas do mercado brasileiro. Embora o estudo evidencie a falta de entusiasmo, ele também aponta para os obstáculos formidáveis que o setor enfrenta — do alto custo de entrada a uma infraestrutura de recarga ainda subdesenvolvida. Para a maior parte dos consumidores, o motor a combustão interna continua sendo a escolha padrão, avaliado sob a ótica da confiabilidade e do custo acessível, e não da obsolescência.

Enquanto montadoras e formuladores de políticas públicas pressionam por um futuro descarbonizado, esses números funcionam como um lembrete sóbrio de que a adoção tecnológica raramente segue uma trajetória linear. Fechar a distância entre 36% e uma maioria vai exigir mais do que a promessa de sustentabilidade — será preciso uma mudança estrutural na forma como os veículos elétricos se integram ao tecido econômico e logístico do país.

Com reportagem de Exame Inovação.

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