Por décadas, a narrativa dominante sobre o universo foi a de um começo singular e um fim inevitável e gelado. Nos dizem que o cosmos nasceu com o Big Bang e acabará se dissipando num estado de entropia máxima. Ainda assim, persiste uma alternativa mais rítmica: a cosmologia cíclica. A hipótese do "Big Bounce" sugere que o universo não simplesmente desaparece, mas colapsa sobre si mesmo antes de disparar uma nova expansão.
A teoria historicamente teve dificuldade em conquistar espaço no mainstream científico. Críticos apontavam a segunda lei da termodinâmica, argumentando que a entropia se acumularia a cada ciclo, tornando um "bounce" eventualmente impossível. Além disso, a descoberta da energia escura e da expansão acelerada do universo parecia indicar uma viagem só de ida rumo ao vazio, deixando pouca margem para um colapso cósmico.
A física teórica, porém, raramente se dá por encerrada. Novos modelos estão surgindo na tentativa de conciliar uma história cíclica com as observações atuais, tratando o Big Bang não como um ponto de partida definitivo, mas como uma fase de transição. Há uma simetria poética no fato de que a teoria dos ciclos cósmicos esteja ela mesma vivendo um ressurgimento — prova de que, na física como nas estrelas, ideias antigas têm o hábito de voltar à luz.
Com reportagem de New Scientist.
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